terça-feira, 21 de abril de 2026

No dia do abraço


De repente o olhar ficou turvo,
E a lágrima rolou.
Não era de tristeza,
Era de emoção,
Emoção que brotou nos olhos
E correu para o coração.
Lembrar de abraços,
De tempos felizes,
De vida sem complicação,
Sem cobranças,
Sem preocupação.
Éramos felizes assim.
Mas crescemos,
Amadurecemos,
Envelhecemos.
Hoje as lembranças
Nutrem nossa ânsia de viver.
E sonhamos…
Nunca deixe os sonhos morrerem.
É através deles
Que eu o abraço todos os dias,
Com respeito, amor e carinho.
Sempre!

Lilia Maria 


Ouvindo a declamação de um poema de Vinicius de Moraes que falava de abraço, fiquei tão impactada, viajei através do tempo, e escrevi este poema.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Conecção perene


A vida de tropeços,
De escolhas erradas,
De decepções.
De amores vãos,
Não me fez esmorecer.
A cada queda,
Mesmo quando não houve
Uma mão amiga,
Uma palavra de apoio e consolo,
De alguma forma me refiz.
Andei sem rumo,
Trilhei caminhos,
Conheci novas pessoas,
Encontrei velhos amigos,
Mas uma conexão
Nunca deixou de existir.
Em presença ou nos pensamentos,
Na vida real ou virtual,
Sabe-se lá porque ou como,
Sempre esteve comigo,
No fundo do coração.

Lilia Maria 


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O menino da praia


Um dia, o tu virou você,
O garoto praia vestiu terno,
Paulistanou…
Mas de resto, continuou.
O sorriso era o mesmo,
Os sonhos ainda estavam lá,
Bem guardados no coração.
Vez ou outra resgatava um,
Mas logo voltava ao seu papel.
Quem sabe um dia,
Ele volta à praia,
O lugar que tanto amou.

Lilia Maria

sábado, 29 de novembro de 2025

Eu te amo!


Três palavrinhas simples que tornam a vida mais feliz, sejam dita por quem for, os pais, os filhos, os amigos, os namorados, os esposos.
Cresci numa família até muito amorosa, mas as três palavrinhas mágicas, não me lembro de tê-las ouvido. Embora eu soubesse que eu era amada, nunca ouvi da família. Cresci pensando que elas só seriam ditas pelo meu companheiro de vida.
O meu primeiro amor até me disse, mas por uma metáfora. Estávamos sentados num banco do Campus que ele disse: tudo fica mais bonito quando olhamos pelos olhos da mulher amada. Lindo, não é? Inesquecível também.
Anos mais tarde, um rapazola que insistia em me conhecer, de repente falou: eu amo você e vou me casar com você. Imperativo. Quase dois anos depois o casamento aconteceu.
Apesar dos muitos lembretes ditos pelo Dr Oswaldo Borges e sua esposa, dona Maria Lúcia, no curso de noivos e em muitas ocasiões da vida (eles eram amigos dos meus pais), o ritual foi sendo esquecido, até que eu percebi que o amor tinha acabado. Foi triste, foi difícil, mas amor não pode ser unilateral.
Durante o resto do meu tempo até hoje, já ouvi o eu te amo de duas pessoas que certamente são os amores da minha vida: minhas filhas, e já retribui também. Agora espero o “eu te amo” dos meus netos. Quem sabe um dia…
Mas o que eu queria dizer é que, a minha geração, mesmo tem muito amor em seus corações, não tem o costume de se declarar. Isto é fruto do modo que fomos criados.
Quero pedir desculpas à família e amigos por não ser tão expressiva. Amo vocês.
Lilia Maria

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Mais um câncer se foi

 

A calma não é só no corpo,
É na alma.
A respiração leve,
A voz meio cansada,
O olhar meio vazio,
Sugere alguém partindo…
Não!!!
Estou chegando outra vez,
Plena, firme.
Só me dê um tempo
E logo estarei em pé,
Olhando o horizonte,
E caminhando ligeiro
Para novas aventuras.
E assim eu vou.
Lilia Maria

Estou chegando de novo


A calma não é só no corpo,
É na alma.
A respiração leve,
A voz meio cansada,
O olhar meio vazio,
Sugere alguém partindo…
Não!!!
Estou chegando outra vez,
Plena, firme.
Só me dê um tempo
E logo estarei em pé,
Olhando o horizonte,
E caminhando ligeiro
Para novas aventuras.
E assim eu vou.

Lilia Maria

domingo, 5 de outubro de 2025

Crendices populares

 

Quando eu era criança, fui atropelada por crendices populares da época (quem não?).
Muitas vezes estas crendices ficam de tal forma arraigadas no nosso subconsciente, que mesmo sabendo que são apenas crendices, geram reações absurdas.
Lembro-me da minha avó dizendo que se uma borboleta pousasse na minha mão ou se ela voasse perto de mim, das suas asas saía substâncias que caindo em meus olhos, me deixaria cega. Isso ficou tão marcado em mim, que certa vez, já na universidade, uma mariposa voando pela sala de aula, passou pela minha cabeça. O susto foi tanto que não conseguia falar.
Não vou contar todas as histórias, são muitas, mas sempre me lembro de algumas:
- manga com leite é veneno,
-andar de costas, a mãe morria,
-espelho quebrado trazia uma maldição,
… e por aí vai.
Atualmente estou vivendo com uma delas martelando meu inconsciente: câncer não tem cura. Já tive dois. Todos foram operados e curados.
Agora, com o terceiro diagnóstico, não será diferente, tenho certeza. O próprio médico diz que a chance de cura é infinita, mas me pego tentando deixar tudo organizado para não dar trabalho aos que porventura ficarem incumbidos de fechar minha história.
E vamos em frente, com fé e alegria.

Lilia Maria