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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Aprendendo a economizar

E aqui estou eu, tentando escrever um texto sobre como funcionavam as compras naquela vendinha da esquina, cujo dono marcava tudo que uma determinada família consumia, numa caderneta. No final do mês, o pai ou a mãe iam lá pagar.
Não tenho como falar sobre isso porque em casa não funcionava assim. Meu pai nunca gostou de “ficar devendo”. Se tinha dinheiro, comprava, se não tinha, não comprava. Para as coisas necessárias, pão, carne, leite, compras na feira ou no mercado, havia sempre o dinheiro na mão.
Lembro-me que em casa havia um cofre em um canto no quarto dos meus pais. O dinheiro do mês ficava lá guardado. Minha mãe tinha uma bolsinha onde colocava algum valor para as despesas do dia a dia. Quando precisava de mais ia lá, abria o tal cofre e pegava o suficiente para o que iria pagar ou comprar.
Eu também tinha o meu cofrinho. Acho que naquela época, toda criança tinha. O meu era quase uma miniatura do cofre dos meus pais. Tinha uma portinhola fechada com uma pequena chave que ficava guardada. Onde? No cofre grande. Tinha uma abertura para colocar moedas e outra para inserir notas
bem enroladinhas. Meu cofrinho era “alimentado” pelas meus avós e tios. De vez em quando abríamos e tirávamos algum dinheiro para comprar alguma coisa pequena como um doce ou um pequeno brinquedo.
Quando eu estava maiorzinha, minha avó Lilia resolveu nos presentear com dinheiro na época do Natal e do aniversário. Claro que o dinheiro ia direto para o cofre. Não o meu, claro, mas o cofre grande. Quando o dinheiro atingia uma certa quantia, normalmente meu pai investia.
E assim, fui aprendendo que, para ter o que eu queria, precisava planejar e fazer economia.

Lilia Maria

Texto escrito durante o encontro semanal da Estação Memória

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Falando de rádio - Gran finale


No dia 24 pp , o grupo da Estação Memória teve seu tão esperado encontro com os alunos da Termomecânica (CEFSA). Em pauta neste ano, as memórias do rádio. 
Ao final, como acontece todos os anos, e como bem disse a nossa coordenadora, Profa. Ivete Pieruccini, ousamos interpretar um pot-pourri de canções que marcaram época. Foram poucas, apenas quatro, mas o resultado foi muito bom.

Antes de iniciar a apresentação, a nossa colega Berenice Bizarro, leu o texto por ela produzido com revisão da colega Elzira Arantes. Além de algumas informação sobre o radio no Brasil, o texto falava das músicas que seriam interpretadas. 




Segue o texto na integra:


O rádio teve muitos pais, até  UM BRASILEIRO: o gaú Padre Roberto Landell, que fez em São Paulo, em 1893, uma transmissão da voz humana via telégrafo – da Avenida Paulista até Santana. Contudo, foi o italiano Marconi quem registrou a patente sobre o rádio, em1896, ficando mundialmente conhecido como seu inventor.
O rádio no Brasil teve sua época de ouro entre 1930 e 1940, como único meio de oferecer informação e entretenimento – com notícias, divulgação de músicas, transmissões de futebol, programas humorísticos e muito mais. Entre as músicas nacionais e estrangeiras, sobressaíam as marchinhas de carnaval, cujo sucesso resultava em prêmios para seus autores e cantores. "Linda Morena" foi composta por Lamartine Babo, em 1932. No ano seguinte Braguinha, outro grande compositor deu a divertida resposta com a marchinha "Linda Lourinha". Eles brincavam com uma suposta e simpática rivalidade entre loiras e morenas. Até se dizia: "os homens preferem as loiras, mas se casam com as morenas!". Ambos compuseram muitas outras marchinhas de carnaval e juntos criaram “As cantoras do rádio”, em 1936, que se transformou em verdadeiro hino das cantoras cujo trabalho era divulgado principalmente pelo rádio. 

Lamartine, bem humorado e brincalhão, trabalhou no rádio e é autor de muitas marchinhas, tendo feito também os hinos de vários clubes de futebol, como Botafogo, América-RJ, Vasco, Flamengo e Fluminense. Braguinha, conhecido também como João de Barro, adotou esses pseudônimos para não usar o nome da família, que seu pai não queria ver associado ao ambiente da música popular, muito mal visto na época. Entre suas muitas produções, a marchinha “Chiquita bacana”, de 1949, foi imortalizada pela sensacional Carmen Miranda.