Um dia, de repente, notei o primeiro fio branco entre os cabelos. Ele até foi exibido como um troféu.
Depois reparei que aquelas marcas de expressão, que surgiam ao sorrir ou chorar, estavam se tornando perenes.
O corpo, antes certinho e torneado, estava se tornando flácido.
Tudo bem, tudo bom, sinais dos tempos.
Então outras novidades foram surgindo. Eu, que tinha a minha agenda de compromissos de cabeça, agora tinha que anotar. Conversar estava meio caótico, muitas vezes não conseguia entender o interlocutor, esquecia palavras na hora de me expressar. Quando era uma palavra ou nome de alguém que não fazia parte do meu cotidiano, tudo bem, mas começou a falhar coisas mais corriqueiras.
Se antes estava aceso o farol amarelo, agora o vermelho se impunha.
Não, não vou entrar em pânico. Metade dos meus amigos estão assim também. Estamos todos no mesmo trem que nos leva em frente rumo a eternidade. Mas enquanto eu puder contar histórias da vida, estarei viva. Muito viva!
Lilia Maria