Quem diz que vive de brisa, E que no frio não veste blusa, Ou é mentiroso ou masoquista. Não há nada melhor Do que braços quentes E barriga cheia. Faz bem para o humor, Faz bem para a vida.
Poetizar é a forma que encontro De perguntar o imperguntável E responder sem parecer maluca. Ao poeta, quase tudo é permitido, Dos devaneios aos surtos de realidade, Das doces mentiras às cruas verdades.
Esta São Paulo umedecida, Pela garoa intermitente, Me faz sentir saudade Do calor do cobertor. Mas, se como a cidade, Não dá para parar, Vou colocar meu melhor casaco, Um gorro e um cachecol, E com os pés bem aquecidos, Lá vou, até que contente, Para o que o dia mandar.