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sábado, 19 de setembro de 2020
Desabafo
Hoje eu queria ter sonhado,
Sonhado um sonho bom,
Daqueles que a gente solta a voz,
E tudo que está preso na garganta,
Na alma,
No coração.
E nada é dito com todo cuidado,
Como quando se diz
Que o gato subiu no telhado.
O gato morreu! Pronto.
Assusta? Mas é o real.
Queria dizer de uma só vez
Como me senti e como ainda me sinto.
Dentro do possível, fui uma menina obediente,
Uma esposa eficiente,
Uma amiga dedicada,
Uma profissional competente,
Mas uma mãe meio atabalhoada.
Que horrível que eu era!
Que horrível que eu sou!
Mas vou vivendo.
Um dia conserto um pedacinho aqui,
Outro dia um faço um remendo ali...
E assim vai.
A vida não é como meu bichinho de crochê,
Que quando não está bom,
Desmancho tudo e começo outra vez.
Quem sabe, na próxima encarnação,
Eu comece por aprender a dizer não.
Lilia Maria
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Barbarismos
Sobra sombra
Para assustar,
Sobra ódio.
Raiva,
Medo,
Em pessoas que só queriam amar.
Nada poderia sobrar,
A conta é justa
Quando o justo se expõe
Diante do mundo perplexo.
Mas quem julga o que é justo?
Onde começa esta história de horror?
Intolerância,
Radicalismo,
Estes sim deveriam ser banidos
Na totalidade do universo.
Lilia Maria
Para assustar,
Sobra ódio.
Raiva,
Medo,
Em pessoas que só queriam amar.
Nada poderia sobrar,
A conta é justa
Quando o justo se expõe
Diante do mundo perplexo.
Mas quem julga o que é justo?
Onde começa esta história de horror?
Intolerância,
Radicalismo,
Estes sim deveriam ser banidos
Na totalidade do universo.
Lilia Maria
domingo, 28 de dezembro de 2014
Esconderijo
Atrás da porta
A folha morta,
Com sua haste torta,
Se esconde.
Vou lá ficar com ela,
Quem sabe assim,
Alguém esquece de mim.
Lilia Maria
A folha morta,
Com sua haste torta,
Se esconde.
Vou lá ficar com ela,
Quem sabe assim,
Alguém esquece de mim.
Lilia Maria
domingo, 27 de janeiro de 2013
Lembrando este dia
"A tragédia não é quando um homem morre, mas aquilo que
morre dentro do homem enquanto ele está vivo" Albert Schweitzer
Morri um pouquinho esta manhã quando olhei o calendário e vi que era 27 de janeiro. Lembranças... Quantas lembranças...
Um dia mágico não poderia terminar com lágrimas, mas
terminou. Se me perguntarem, não sei por que chorei, mas as lágrimas não
paravam de rolar. Acho que no fundo da alma eu sabia que era mais uma longa
despedida.
A gente até se viu mais uma vez, e quando vi aquele homem se
afastando, sem olhar para traz tive certeza que era o inverno chegando ao
coração.
Nem toda história bonita tem um final feliz. Quer dizer, um
final feliz juntos. Mas, de repente, cada um pode ser feliz em seu cantinho. É
isso que eu espero. Eu só ficaria em paz comigo mesma se soubesse que tudo que
aconteceu não foi em vão.
Lilia Maria
domingo, 26 de agosto de 2012
Assim não dá...
Eu sabia
Que ia virar mania.
É como um vício difícil de vencer,
Durmo e acordo pensando em você.
Procuro disfarçar,
Mudar o rumo do olhar,
E quando me dou conta,
Estou dizendo bom dia,
Para a imagem da fotografia.
Amor na juventude é fácil de acabar,
Basta outro encontrar.
Mas depois de certa idade,
Parece que fica incrustado
Pintado, escrito, rabiscado,
Nas paredes do coração.
Tento fugir disso,
Mas parece um feitiço,
Que não consigo quebrar.
Estou cansada,
De me sentir casada
Com o que sobrou na memória
E na minha imaginação.
Lilia Maria
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Qualquer bobagem
Para de dizer
O que eu posso
Ou não posso fazer.
Para de açoitar minhas palavras.
Se te fazem mal,
Não leia.
Pensamentos e sentimentos
São livres,
Cada um tem os seus.
Não tenho culpa
Da mordaça que carregas.
Não tenho culpa
Se tens um ditador.
Lilia Maria
O que eu posso
Ou não posso fazer.
Para de açoitar minhas palavras.
Se te fazem mal,
Não leia.
Pensamentos e sentimentos
São livres,
Cada um tem os seus.
Não tenho culpa
Da mordaça que carregas.
Não tenho culpa
Se tens um ditador.
Lilia Maria
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