sábado, 7 de julho de 2012

Apaixonadamente


Eram conversas puras.
Pueris,
Quase infantis,
Juvenis.
Tinham graças,
Gracejos,
Lampejos de amor,
Esperanças,
Promessas,
E realidade.
Tinham paixão,
Excitação,
Vontade de nunca dizer não.
Eram sonhos tímidos,
Encantadores,
Escancarados,
Desencontrados,
Exuberantes,
Apaixonantes.
Nada foi perdido,
Nem o tempo de viver
Os amores do alvorecer.

Lilia  Maria

Criador e criatura

Poesia é arte
E faz parte
Do mundo da criação.
Poeta é o artesão
Que reúne palavras
Que brotam no coração.

Poesia é rima
Ou o termo que combina
Com a idéia
Que da mente do poeta brotou.
Poeta é gente boa,
Poeta é gente linda
Que espalha emoção

E me faz pensar no que sou.

Poesia alimenta a alma,
Acalma o espírito,
Para a canção da vida, dá o tom.
Poesia é um sonho bom.
Poeta é sonhador,
Poeta é encantador,

Poeta é mais que gente,
Poeta é amor.

Poesia é o pensamento
Que o poeta não guardou.
Poeta não faz segredo
Daquilo que pensou.


Lilia Maria & Rô Martins

Poesia escrita a quatro mãos em março de 2011 e editada hoje. 
Ela nasceu de uma conversa entre nós. 
Papo inspirado, 
Cheio de significado, 
Cheio de cor .
Olha que isso vai virar poesia também... rs...



quinta-feira, 5 de julho de 2012

Qualquer bobagem

Para de dizer
O que eu posso
Ou não posso fazer.
Para de açoitar minhas palavras.
Se te fazem mal,
Não leia.
Pensamentos e sentimentos
São livres,
Cada um tem os seus.
Não tenho culpa
Da mordaça que carregas.
Não tenho culpa
Se tens um ditador.

Lilia Maria

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Cantiga Antiga

Eu fiz uma cantiga bem antiga pra você
Pensando que você fosse gostar
Voltar no nosso tempo de crianças
Quando a gente ainda brincava
Eu puxava as suas tranças
Só pra ver você zangar
Você zangava e me chamava
De boboca perna torta
Perna torta é a vó...
Eu fiz uma cantiga muito antiga pra você
Tentando só fazer você lembrar
Que eu era o menino calças curtas
De cabelo arrepiado
Que queria ser soldado
Do primeiro batalhão
E ganhar mais de 1 milhão
E a gente se casar
Eu fiz esta cantiga tão antiga.
Tão antiga que você
Nem vai lembrar...
(Silvio Cesar / Sylvan Paezzo)

Hoje acordei saudosista...
Olhei o violão encostado na parede do meu quarto e lembrei desta música. Se alguém mais lembrar vai denunciar a idade... (rs) Sei que ela foi gravada em 1968.
Mas as lembranças que ela me traz são muito mais antigas (embora eu tenha começado a usar tranças quando entrei na Universidade – até então eu era obrigada a cortar os cabelos porque meu pai dizia que meu cabelo era igual ao de uma espiga de milho – simpático, n’é?)
Lembrei de férias passadas em São Carlos, na casa da minha avó, início da adolescência, as brincadeiras de rua logo depois do jantar, quando os mais velhos estavam entretidos com os telejornais e as novelas.
Tudo começava com queimada e mãe da rua. A turma ia chegando, olhares compridos eram trocados, o pessoal ia se ajeitando, e quando começava a bater o cansaço de tanto correr alguém sempre tinha a brilhante idéia: - vamos brincar de namoro no escuro? Nos dias atuais esta brincadeira poderia ter outro significado, mas na época... Hoje os nossos filhos diriam que éramos uns bobocas...
A brincadeira era mais ou menos assim: Tinha um “animador”, o “premiado” e os outros eram os possíveis escolhidos. O “animador” vendava os olhos do “premiado” e seguia apontando para os “possíveis escolhidos” perguntado: - quer este? A resposta era sim ou não. Quando o premiado escolhia alguém, o “animador” perguntava: Beijo, abraço ou aperto de mão? Era aí que a coisa ficava engraçada. Um menino tendo que beijar um menino era hilário. Aconteciam mil palhaçadas. Mas se o beijo tivesse que ser entre um casal... Nossa! Batia a timidez... Claro que ninguém beijava ninguém... Mas a vontade era grande. Que pena! Agora só resta a saudade.

Enquanto estava escrevendo este "post" não pude deixar de pensar na minha prima Silvana, parceira de muitas histórias, com quem eu dividi todos os pequenos grandes segredos até a juventude. 
Pensei também no meu soldado sério e sisudo que sonhava comigo enquanto eu sonhava com ele. E se ele não fez uma cantiga antiga para mim, certamente eu fiz uma cantiga antiga para ele.

Lilia Maria

Maria Rita e Serafim


Toc, toc, toc... Ei, ó de casa! Você está aí? Abre a porta para mim... Aqui fora está frio e chove muito. Preciso me abrigar, me secar, me aquecer... Não adianta. Acho que você adormeceu... Cansou de me esperar... Eu disse que iria demorar, mas você disse que eu poderia chegar a qualquer momento. Eu vim... E agora? Abre a porta para mim...
Pobre Serafim. Tinha vindo de longe! Caminhou muitas léguas e não esmoreceu diante de nenhuma dificuldade. Enfrentou o sol escaldante, a noite escura, a chuva fria, o vento. E faria tudo outra vez se soubesse que chegaria ao seu destino são e salvo.
Mas onde estava Maria Rita?
Maria Rita, moça bonita, que encantou Serafim com sua voz melodiosa, seu olhar doce, seu riso tranquilo. Para ele, ela fora uma promessa de dias melhores e mais felizes. Quanto ele precisava daquele alento! Sua vida não havia sido fácil, mas agora conseguia vislumbrar dias de alegria ao lado da mulher amada. Ah! Maria Rita! Por onde anda você.
Cansado de esperar a porta se abrir, dormiu ali mesmo, encolhido como um feto a espera da bolsa se romper.
Os primeiros raios da manhã veio acordá-lo. Sentia o corpo dormente, a cabeça pesada, os olhos cansados.
De repente o cheiro de pão quente e do café despertou a sua fome. Aguçou os ouvidos. Vozes! Conversavam... Aí a porta se abriu e dois olhos surpresos olhavam para ele.
Quem é você estranho viajante? Quem ou o que procuras?
Procuro a fada mais bela, a dona dos meus dias futuros, a mãe dos meus filhos, a mulher da minha vida...
Corre moço, se fores depressa ainda é tempo de alcançar Maria Rita no meio do caminho. Ela foi procurar um certo Serafim.
Saiu correndo afobado e só parou quando viu a sua Maria Rita de braços abertos esperando por ele.
E assim termina esta história, com mais um final feliz. Quem me dera eu pudesse ter um final feliz também...

Lilia Maria

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Navegando


Roda a roda.
Entre o diâmetro e a corda.
Fica um barco a vela
E eu vou navegar.
Nas águas do oceano,
Pacífico ou Atlântico,
Não importa,
O importante é ir ao mar.
Saio das marolas,
Estendo a bujarrona,
E o mundo vou ganhar.
Se eu dia eu retornar
A gente pode se encontrar.
Depois de um abraço forte
Voltaremos a conversar.
Falaremos do futuro,
O passado acabou de passar.


Lilia Maria

domingo, 1 de julho de 2012

Perdida entre as ciências exatas e humanas

Se pedirem a um técnico para descrever a água, dentro do seu raciocínio cartesiano, descreve o líquido como uma reação química e chega aos elementos básicos, que individualmente não são água. Fim. Este é o limite. A água foi descrita de forma incontestável.
Mas se o mesmo for pedido a um pensador, este não olha o líquido em si, mas o imagina contido em um recipiente e questiona a sua origem sem, contudo, olhar para a água. Como tudo depende de onde viemos, o que chama sua atenção é o fato de que estamos envolvidos pela água por dentro e por fora. Chega, então, à conclusão de que a água é onipresente, mas como só Deus é onipresente (lógica de primeira ordem) então a água é Deus. Parece obvio que isto não tem fim... Ou tem, só que a água acabará esquecida no meio do caminho.
Em geral, tudo aquilo que acaba sendo explicado com uma bela equação matemática toma ares de verdade irrefutável.

Este texto foi adaptado (quase compilado) de um e-mail recebido do colega de turma da pós-graduação e amigo Sidney Castro.