domingo, 4 de dezembro de 2011

Verso Torto


Numa falha de inspiração
Escrevo um verso torto,
Sem rima, sem cadência
Sem sentido, sem acento.
Uma palavra solta aqui,
Uma vírgula colocada ali,
E vai se delineando a ideia
Que começou meio quebrada.
Quem ler e entender
Explique à minha razão
Que a dor passou,
Mas o amor incondicional persiste
E resiste sem mesmo saber por que.

Lilia Maria

Ah! Sim, a poesia:

Entre o ser e o estar,
Prefiro o ficar.
Ficar quieta em meu lugar,
Ficar aqui e me controlar,
Ficar e deixar passar,
Ficar e esperar.

Lilia Maria


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bom dia!

O ar frio da manhã
É como um sopro de vida
Que me desperta
E penetra em minhas entranhas.
Expande-se em meus pulmões
E me faz sentir viva,
Ativa,
Emotiva.

Bom dia sol
Que ilumina este céu límpido,
Azul,
Irradiante.
Que este seja um dia de luz,
Que a luz aqueça a minh'alma
E que ela voe livre,
Leve,
Feliz!

Bom dia mãe natureza!
Mostre toda a sua beleza
Com flores a desabrochar
E o perfume da terra molhada
Pelo orvalho que sobrou da madrugada,
Quando eu ainda estava resguardada
No quentinho do meu cobertor!

Lilia Maria

Escrita há muito tempo para minha amiga Sandra Cruzeiro  que aniversaria hoje.

Recadinho:
Feliz aniversário Sandra, que Deus a abençoe sempre e, como diz aquele seu amigo que agora não me recordo o nome, que um dia você chegue a euro, libra, ou qualquer outra moeda que espelhe realmente o seu valor.
Beijo grande!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Mais uma maluquice da Lili


Com a casa ficando mais vazia, resolvi que era hora de mudar algumas coisas. Replanejei a distribuição dos móveis, troquei o lugar de guardar algumas coisas, doei minha estante de livros (vazia) para minha filha, enfim, estava tudo correndo bem, mas as paredes precisavam de pintura nova.
Depois de três orçamentos cheguei à conclusão que teria que optar: ou pintura ou as coisas que precisava fazer para concluir a redecoração da casa. O problema não era comprar o material e sim a mão de obra. Como artesã que sou, sei que é precisa valorizar o trabalho alheio, mas R$ 2.500,00 para no máximo uma semana de trabalho, realmente sai de qualquer expectativa de custos que eu imaginava.
Hoje cedo, olhando o armário que fica na varanda do meu quarto, vi que havia uma lata de tinta para teto de banheiro, pinceis e rolos. Resolvi experimentar. Se não der certo, agora é custo zero, se der certo, devagar eu pinto tudo e o dinheiro vai ser suficiente para o resto.
Então, mãos à obra. A primeira demão foi dada. Não ficou mal. Um dia ainda viro "marida de aluguel"... rs... Coisas de Lili.

Lilia Maria

domingo, 27 de novembro de 2011

Mercador de sonhos

Passou por mim,
Ofereceu um sonho,
Depois outro,
E mais outro depois.
Fiquei com todos.
E sonhei...

Alguns, realizei
Outros guardei,
Preenchi minhas gavetas,
Coloquei no fundo do armário,
Tranquei no cofre,
Cada um teve seu fim...

Mas a gente cresce,
E esquece,
Que é preciso sonhar...

Qual o limite de um sonho?
Até onde eu posso chegar?
O que me é permitido sonhar?

Difícil responder,
Difícil explicar...
Não há limite pra sonhar,
É sempre permitido ousar.

Preciso limpar minhas gavetas,
Tirar tudo do armário,
Achar a chave do cofre,
Resgatar meus velhos sonhos.
Dividi-los com amigos,
Retomar um de cada vez.

E, quando o mercador
Por mim de novo passar,
Vou trocar antigos por novos,
Outras possibilidades experimentar,
E solenemente vou jurar:
Nunca mais paro de sonhar!

Lilia Maria

Dor de amor

Onde dói o amor perdido? 
Como é a dor do amor doído? 
É dor latente, 
Dessa que enlouquece a gente? 
É dor ardida 
Como de uma profunda ferida? 
É dor dormente 
Como se fora um membro amputado que ainda se sente? 
Onde dói a dor de amor? 
Na alma? 
No coração? 
Só sei que não é como a dor doente, 
E doi de forma diferente. 
Não adiante pílula ou compressa, 
Não tem cura por promessa. 
Mas passa, um dia passa, 
E se não passar, paciência, 
Aprenda a com ela conviver. 

Lilia Maria

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Calmaria

Quem buscou um velho segredo
Guardado no fundo da minh’alma
Não encontrou nada além de sonhos
Da menina esquecida num canto da sala.
Quem viu a menina com lágrimas nos olhos
Nunca soube por que chorava
Ou por que mesmo sorrindo
O olhar ainda era triste.
Quem viu a tristeza no semblante sereno
Não entendeu as mãos postas em súplica
Como se orasse em penitência
Pelo pecado não cometido.
Nem segredos nem pecados,
Só a imagem quase apagada,

Que ainda guardo enternecida.


Lilia Maria

Olhares


Minhas vestes cobrem apenas a nudez,
A alma continua exposta.
Quem me vê com os olhos,
Enxerga o colorido das roupas,
Mas não a cor da emoção.
Quem me vê com o coração,
Percebe a palidez do silêncio
Que guardo não sem razão.

Lilia Maria