domingo, 16 de outubro de 2011

Censura


É difícil escrever
Sem mostrar o fundo d’alma,
Sem soltar a mordaça
Que cala o grito angustiado
Que ficou no peito enroscado.
E quando por fim
As palavras de desprendem
E brincam na folha de papel,
Metade a censura corta,
E a outra metade
Já não tem o mesmo sentido.
Assim morre a inspiração
Refém da meia verdade,
Da solidariedade,
Da falsa ilusão.

Lilia Maria

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Explica mas não justifica

O um espera o dois,
O dois espera o um,
Ninguém vai,
Ninguém fica.
Só a vontade justifica
Que beijo da boca carmim
Ainda espera por mim.
Ele é só felicidade
De quem mata a saudade.
Te amo um,
Te amo dois,
Te amo mais que feijão com arroz.


Lilia Maria

O que é o amor?

Seria o amor como o mar?
Imenso, poderoso, envolvente, profundo.
Ora agitado, ora manso,
Ora em alta, ora em baixa,
Lindo quando encontra o céu e traça o horizonte.
Assustador?

Seria o amor como o vento?
Morno, suave, gostoso, arrebatador.
Ora vigoroso, ora calmaria,
Ora trazendo a tormenta, ora trazendo a bonança,
Uma brisa, um sopro, um furacão.
Inconstante?

Seria o amor como a terra?
Cheia de segredos, de vida, macia, arenosa.
Ora fértil, guardando a semente a geminar,
Ora árida, seca, sem nada para dar,
Mas sempre uma promessa de vida por começar.
Esperança?

Seria o amor como o fogo?
Quente, doloroso, que ilumina, que arrasa.
Ora bem vindo, ora maldição,
Ora incontrolável, ora uma chama.
A grande conquista do homem.
Fascinante?

Lilia Maria


Mais uma repostagem. 
Presentes os quatro elementos: fogo, água, terra e ar. Eles são tão essenciais quanto o amor.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eternas crianças


Não importa o quanto já tenhamos vivido,
Não importa o quanto já tenhamos sofrido,
Não importa os tombos e os tropeços.
Guardamos no fundo da alma,
Em algum lugar
Muito bem escondido,
A graça e a ingenuidade
Que nos faz ser eternas crianças,
De olhar puro e confiante,
De sorriso aberto e sincero,
Com muito amor no coração.
Somos crianças quando não temos medo de errar.
Somos crianças quando não temos medo de sonhar.
E sonhamos tentado o sonho realizar.
Não aconteceu?
Damos uma pirueta,
Fazemos uma gostosa careta,
Rimos da sorte e da vida,
E vamos lá!
Continuamos a brincar.

Lilia Maria

Simplista? Nem tanto. A vida é para ser levada a sério, mas não deixamos de ser sérios quando tentamos aprender com os nossos erros e acertos. Só não podemos nos deixar abater quando não conseguimos realizar os nossos propósitos. Cada um de nós guarda no fundo da alma a criança que um  dia fomos. Temos que resgatar dela a vontade de seguir em frente. Se morrer esta criança, morremos junto com ela e aí não sei se a vida vale a pena. 
As crianças não têm medo de recomeçar, e tentar, tentar, tentar...
Fica velho aquele que acha que não há mais nada a fazer ou aprender.
Enquanto vivermos, devemos ser sempre aprendizes, e assim experimentar o novo de novo, mesmo que este "novo" seja apenas uma releitura do que já passou.
Feliz dia das crianças a todos os meus amigos de todas as idades.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Desconhecido

Que rico é te encontrar,
Na hora de sempre,
No lugar de costume,
Vestido de sonho,
Com cheiro de flor,
De alegria, enfeitado,
E, para meu deleite
De braços abertos
Esperando por mim.

Não há passado,
Não há desavenças,
Nem ódios ou mágoas.
Levamos apenas beleza
Do amor cultivado
Ao longo da vida.
Amor que transcende
O tempo e o espaço,
Eterno, etéreo, fugaz.

É assim que te quero,
É assim que te espero,
Seja lá você quem for,
Seja lá de onde for!
Apenas te quero,
Agora e para sempre,
Companheiro do meu caminhar.

Lilia Maria


Escrevi este poema há muito tempo. Talvez hoje eu faria alguns retoques e mudaria o nome. Mas deixa quieto. Gosto dele do jeito que está.

domingo, 9 de outubro de 2011

Equilíbrio

Ser dura,
Sem perder a doçura.
Ser maleável,
Sem perder o objetivo.
Ser justa,
Sem perder a generosidade.
Ser racional,
Sem deixar de sonhar.
Ser amável,
Sem parecer servil.
Eis um grande desafio...

Lilia Maria



Difícil, não é? Mas não impossível.
De certa forma esta é a minha interminável busca.
Dizem que sou generosa e sonhadora.
Tem horas que acredito que não sei dizer não.
Tem horas que a racionalidade, típica das pessoas da área de exatas me pega de jeito, aí acho que acabo sendo dura, mas esses momentos doem mais em mim do que na outra pessoa.
Às vezes perdoo o imperdoável, às vezes me deixo magoar por coisas pequenas, que acabam se tornando grandes. Bobagem. A vida é mais fácil de ser vivida quando deixamos as amarguras de lado e saboreamos o bem-querer.
Eu amo viver!!!!!

Macramê


Fio encerado
Com muita cautela
Se transforma em nó dado,
Meio frouxo,
Meio solto,
Na trama que se forma. 


Não é um emaranhado,
Tem ordem para fazer,
Até tecer com cuidado
O que era programado.
Segue assim,
Passo a passo,
Até que um erro no compasso
Colocou tudo a perder.


Lilia Maria