Era tão pequena a lembrança, Que parecia não valer a pena lembrar. Mas estava tudo ali, Latente, Fervilhante, Esperando a hora de derramar. Uma palavra, um flash, Um sorriso, uma cena, E de repente se descortina Tudo que estava lá no fundo da alma, A alegria, a juventude, A esperança, o júbilo. Como é bom recordar, Reviver, Sonhar.
Era tanto para aprender Que nunca me dei conta Que enquanto aprendia Ensaiava o ensinar Nem que fosse para mim mesmo. Não queria ser um doutrinador, Com fala de papagaio, Que não vê o outro lado, Mas um simples professor Que percebe olhos ansiosos, Que escuta a fala ingênua, Que entende a dificuldade, Que sorri com indulgência, Mas sabe ser ao mesmo tempo Severo e gentil, Claro e sutil, Mestre e aprendiz.
Abraço é como um laço Que se presenteia A quem se quer bem. Abraço é como um doce Que se saboreia com alegria De sentir outro coração bater também. Abraço é como um verso Que se escreve noutra alma Que está perto ou muito além. Abraço é como remédio Que se toma para curar A saudade de alguém. Abraço é como uma benção Que que colhe ao longo do tempo E o amor mantém. Lilia Maria
Ela aparece serena, Pequena, Uma menina de brancos cabelos E pele marcada pelo tempo. Dormita sentada no sofá. E gesticula num sonho mudo Buscando sabe-se lá o que. Aquela que um dia protegia Hoje precisa de proteção, De atenção, De cuidados. É como um bebê crescido, Perdida num tempo que passou.