segunda-feira, 20 de abril de 2015

Pensando palavras

 Falas apaixonadas,
Carregadas de emoção,
Precisam ser pesadas
Antes de serem despejadas
Como um dilúvio do coração.

Um pedido de desculpas
Jogado no meio de um palavrório,

Meio que na contramão,
As vezes soam de forma errada,
E vira quase que uma acusação.

Quando a página foi virada,
Não desvire não.
Começar uma nova escrita
Pode ser a melhor opção.

Sonhos já sonhados
Que viraram ilusão,
Podem voltar a fazer parte da pauta,
Mas em nova versão.

Lília Maria

sexta-feira, 17 de abril de 2015

No outono

 Mil tons de verde
Amarelecendo nos jardins,
Anunciam fim do ciclo,
Da exuberância do verão,
Do colorido meio primaveril.
Tudo fica quase triste,
Quase morto,
Quase sonolento,
E vai preparando um festivo retorno
No fim da próxima estação.

Lília Maria

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Despertando

Quando o sol bater em sua janela
Deixe que ele entre devagarinho,
Que ilumine cada cantinho
Da casa,
Da vida
Do coração.
Mas sol, assim como passarinhos,
Não gosta de prisão.
Deixe que ele vague livremente,
E desperte bons sentimentos adormecidos,
Esquecidos sem nenhuma razão.
Ah! Como isso é bom!

Lília Maria

terça-feira, 14 de abril de 2015

Poetizando XXI

Quando a fome aperta
E fica maior que a vontade de comer,
Qualquer coisa vira néctar,
Comida para os deuses satisfazer.

Lilia Maria

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Pensamentos tortos

Quem vai com muita sede ao pote, às vezes se sacia, às vezes morre afogado.

Quem com ferro fere, ferrou.

Quem não tem cão, caça sozinho.

Para cachorro sarnento, pulga é alento.

Lilia Maria


Ah sim... O último pensamento é derivado de uma fala constante da minha sogra, Da. Pepita:

Para cachorro sarnento, tudo é pulga.

 

Outono

O vento frio da manhã
Chega anunciando
Às árvores que ainda exibem frescor:
Vim buscar suas folhas,
Preparem-se para hibernar.
O outono acaba de chegar.

 Lilia Maria

segunda-feira, 6 de abril de 2015

No espelho

Parece que conheço aquela pessoa
Que se mostra postada à minha frente.
Tem o olhar um tanto apagado,
Os cabelos desbotados pelo tempo.
A boca murcha esboça um sorriso.
Linhas vincadas no rosto
São como mapas das memórias
Dos caminhos percorridos até então.
Conheço aquela expressão.
Não parece alguém que sofre
Por ver a vida passar,
Mas alguém que bebe os segundos
Como água fresca da fonte.
Quem é este ser perdido
Que ai postado em minha frente
Parece um outro eu?
Não sei se choro
Ou se solto um extensa gargalhada.
Não há nada mais bizarro
Que olhar-se logo cedo no espelho.


Lília Maria