quinta-feira, 5 de março de 2015

Confidentes

Olho as paredes do meu quarto
E me pergunto, já sabendo a resposta,
Onde estão os meus segredos?
Nenhuma resposta...
Assim tenho certeza
Que estão bem guardados
Nas quatro paredes que me envolvem
E que devolvem o silêncio
Daquilo que não querem contar.

Lilia Maria

 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Eu-livro

Nunca ninguém está pronto.
Somos obras inacabadas
E cada capitulo escrito
Não permite revisão.
A morte cessa a escrita,
Mas o ponto final pode vir
No meio de uma explanação.
Ninguém escreve a última página
E espera o tempo acabar.
A vida vai passando,
Escrevemos sempre a penúltima página,
Pois a última será memória póstuma
Que alguém um dia contará.

Lilia Maria



 

domingo, 1 de março de 2015

Poesia

Escreve,
Risca,
Rabisca,
Apaga,
Pensa,
E volta a escrever.
Uma, duas, três,
Muitas palavras.
Uma ideia,
Alguma rima,
Cadência,
E muita emoção.
De repente nasceu poesia,

Filha da alma,
Irmã do coração.

Lilia Maria

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Despertar

 Acordei pensando tudo,
Acordei vivendo nada.
Não poderia ser simplesmente
E tão somente

Acordar?
Só quero uma dia simples,
Um raio de sol,
Um cheirinho de café,
Coragem para levantar,
E deixar o tempo passar.

Lilia Maria

Coisas da cidade

 A chuva que caiu
Lavando a calçada
E levando a terra,
Levou junto folhas mortas,
Restos de lixo,
Papéis escritos,
Coisas perdidas no chão.
Tudo rolou
E o bueiro tragou.
Logo depois veio a enchente.
A cidade ficou doente.

Lilia Maria

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Andando na chuva

O céu nublado anuncia
Que a água virá
Em grossas gotas de chuva.
Chuva, bendita chuva!
Molha a terra,
Lava a alma
Daquele que ousa esperar
No meio da rua, descalço,
Sem nada para se abrigar.
Chuva que lava a alma,
Lava o corpo,
Enche o copo,
Mata a sede de alguém.
Vou sair agora,
Que a chuva não tarda a chegar.
Preciso espantar os pensamentos
Que não me levam a nenhum lugar.


Lília Maria

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

No Carnaval

 Em dia de Colombina
Faz falta o apaixonado Pierrot,
A camélia do galho caída,
Peri e Ceci se beijando,
A paz da bandeira branca,
Confetes caídos ao chão.

O riso e a alegria
Dos palhaços saltitantes
Contagiam a multidão
Que ainda dança no salão.
Mas basta chegar quarta-feira
Para tudo voltar ao lugar.

Lilia Maria