sábado, 8 de novembro de 2014

Dores

 Não há dores eternas
Nem no corpo
Nem na alma,
Muito menos no coração,
Tudo o tempo acalma
Com um analgésico à mão.


Este remédio milagroso,
Que nem sempre é de tomar,
Ás vezes se compra na farmácia,
Outras vezes, vem em forma de carinho,
Um abraço ou um beijinho,
Uma palavra de afeição.

 Lilia Maria

Memórias

Memórias,
Histórias,
Coisas pra se lembrar,
Fatos,
Fotos,...

Fitas,
Lembranças,
Aquilo que quero guardar.
Conto em contos,
Pensamentos,
Poesias,
Um pouco do que já passou.
Passou, mas ficou,
Restos do que eu sou.


Lilia Maria

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ilusão

Olhando de repente
Aquela fotografia,
Veio, por fim, a revelação,
Olhos tristes,
Um pecado,
Uma vontade de dizer não,
Mas a vontade é maior que a rezão?
Se havia um mal por conhecer,
Melhor não prolongar a espera,
Pois não há mal que não se acabe,
Diante do bem que vem para durar.

Lilia Maria

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

R.S.V.P

Responda!
Responda por favor,
Onde anda o brilho da lua
E do sol que brilhava na manhã?
Entre nuvens que não chovem,
Choram.
A água não lava
E leva o vapor.
Vai longe!
O vento sofra sorrateiro,
Maneiro.
Zomba do ar pesado.
Tem cheiro de poeira molhada,
Mas sem promessa de chuva.

Lilia Maria

domingo, 2 de novembro de 2014

Finados

Sobre a mesa posta,
Jaz soberano o pedaço de pizza,
Comido com gula e apreço,
Direto para a barriga gorda
Que guarda outras bobagens
Engolidas pelo prazer
De sentir-se farta.
Isto não é saborear,
É enganar o coração
Usando a comida como remédio
Para a falta de amor.
Volto ao velho bordão:
Quem me ama sou eu.
Jogo tudo no lixo,
E vou lavar o pé de alface
Para a próxima refeição.

Lilia Maria


domingo, 19 de outubro de 2014

Tudo novo de novo

 Guardamos e perdemos momentos ao longo da vida,
Mas ambos não voltarão.
Olhares, sorrisos, palavras ditas ou caladas,
Gestos de discórdia ou aprovação,
Nada será refeito ou revivido,
Pois em outro tempo tudo novo,
E o novo sempre é primeira edição.


Lilia Maria

Ciberecardo

Meu coração está dividido,
Mas mesmo assim, contente.
Uma parte ainda está aqui,
E a outra no outro continente.
Como sou entusiasta da cibernética,
E sei que hoje não há distância ou fronteira,
Fica tudo bem equacionado,
Regado com saudade ligeira
Que passa a cada recado
Recebido de alguma cibermaneira.


Lilia Maria