quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Encontro marcado

Pão, pão,
Beijo, beijo,
Pão e beijo
É pão de queijo
Tão mineirinho,
Tão caboclinho,
Que até deu vontade
De tomar seu café.
Espera que já estou chegando
Com muita saudade na algibeira,
Com um gostar imenso no peito,
Com vontade de sentar e ficar.
Tem prosa demais 
Para a gente gastar.
E quando o assunto acabar,
Pego a estrada de volta,
Vivo mais um tanto de vida,
Guardo as notícias da terra
Até a gente se encontrar.

Lilia Maria

Pra Selma Botelho, uma pessoa querida que voltei a encontrar.

Viva a vida!

Viva a vida!
Vida que hoje saúdo com um viva
Que se confunde com o verbo viver.
Não importa qual a interpretação,
Pois corretas as duas formas são.
Saudemos a vida então 

E vivamos com satisfação.

Lilia Maria

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Saudação: Bom dia

Um bom dia começa assim,
Café quentinho,
Pão com manteiga na chapa,
Suco de laranja fresquinho,
A metade da maçã,
Um sorriso brincando no rosto,
Um beijo estalado,
Da palma da mão soprado,
Um abraço apertado,
A promessa do amanhã.

Lilia Maria

Saudação: Boas vindas

Bata na porta e entre,
Entre sem nem mesmo bater,
Tem espaço de sobra na sala,
No quarto, na cozinha, no corredor.
Não importa onde você se instala,
Se na bagagem trouxer alegria
E vontade de vencer.

Lilia Maria

domingo, 1 de dezembro de 2013

Brinde

Brindo com um verso torto,
Meio roto, amarrotado, carcomido,
O amor no coração abduzido
Para nunca mais ser devolvido.

Lilia Maria

Matematicar

Um dia há muito tempo,
Matemática me dispus a ensinar,
E não é que bem no meio da aula
Aprendi a poetizar?
Palavra + palavra = verso,
Verso + verso = estrofe,
O conjunto de estrofes é poesia
Que se pode cantar e encantar.
Muitos aprenderam comigo
O X da questão procurar,
Mas a vida ensinou, com certeza,
A forma de se expressar.
E põe poesia na conta
E conta para quem cantar,
Que poesia é só matemática
Que um dia tentei ensinar.

Lilia Maria

Inspiração

Na rede nasce poema
Com cara de vira-lata,
Começa no post do dono
Termina em mãos que o embala.
Toma forma em um verso
E muda o rumo em outro.
Ideias se fundem, confundem,
A mistura sempre é muito boa,
Inovam pensamentos,
Trasbordam inspiração.
Pegue pedaços de lua,
Da luz que resta do sol,
Mosaicos do tempo espelhado
Na alma do poeta errante,
Junte tudo, alinhave,
E está pronta a criação.


Lilia Maria

Dois poetas (Rogério Santos e Paulo D'Auria) escreveram a quatro mãos. Uma ideia inspira outra...

luar de prata foi-se
nos olhos da última namorada
hoje o cachorro vira-noites
chutando a lua de lata.
(Paulo D'Auria)
foice aluada alameda
nos olhos das nuvens que restam
um choro já não represa
meu uivo de vira-lata
(Rogerio Santos)
a lua foice
corta a noite
e as mágoas
(Paulo D'Auria)
estrelas e estilhaços
pés descalços
na calçada
(Rogerio Santos)