domingo, 17 de novembro de 2013

Medindo a vida

Se a vida fosse medida em palmos,
Mãos médias eu queria ter,
Para que a vida não fosse tão breve
Que faltasse coisas a se fazer,
Mas que não fosse tão longa
Que eu cansasse de viver.

Lilia Maria


Amortalhado

Sim, eu amei um dia.
Amei e só eu sei quanto.
Para uns era amor sem fim,
Outros achavam que não era tanto.
Tanto quando era o encanto,
De ter um amor em mim,
Era a amargura de vê-lo definhar
Até  ao fim chegar.
Mais tarde descobri,
Entre espantada e satisfeita
Que o amor não morre nunca,
Apenas muda de estado,
Da fluidez do amor correspondido,
À aridez do amor semiesquecido.
E fica latente, latejante,
Lânguido, adormecido,
Num estado de catalepsia,
Que parece não mais voltar.
Está na hora deste amor doido
Encontrar seu berço de aconchego
E entre plumas e brancos lençóis,
Fechar os olhar e sossegar.


Lilia Maria

Solicitude

Ele dizia - desista,
Ela entendia - insista.
Era mais fácil resistir
Do que deixá-lo partir
E correr o risco
De não ter como voltar.
Se nas páginas escritas
Não se via uma saida
Era melhor escrever mais uma
E tentar a solução.
Chegou um tempo
Que não há mais palavras
Não há mais nada
Nem um sopro
Que faça bater o coração.
Tempo em vão,
Perdeu-se a magia,
Perdeu-se a ilusão.
Voltamos ao ponto de partida.
Hora de recomeçar a vida,
E encontrar alguma alegria
Nas revoada dos sonhos
Que como os pássaros retornam
Ao ninho onde nasceram.
Estou só,
Absolutamente só nesta empreitada.
Vou em busca do meu eu
Que há muito se perdeu.

Lilia Maria

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Solidão

Solidão fica mais fácil
Se deixar a porta aberta.
Se tem alguém para entrar,
Que entre sem bater.
Se tiver que ir embora,
É só dizer adeus.

Lilia Maria

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Esperando uma graça

Sexta-feira comum
Findando a semana comum
De um mês comum
Do ano da graça?
Nem de graça,
Nem sem graça...
Vou sentar lá na praça
E esperar o tempo passar.
Quem sabe neste esperar
A minha vida possa mudar?
Aí toda sexta feira vira paixão,
A semana se enche de cores,
O mês será de carnaval
De um ano excepcional.
Quem espera sempre alcança,
Três vezes salve a esperança.

Lilia Maria

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Atemporal

O tempo passa lá fora,
Mas dentro do ciberespaço
Continua tudo igual.
Lá não tem hora, tempo ou lugar,
Fronteiras que dividem,
Línguas que não se entende.
Lá tem sempre um espaço,
Um ponto de encontro virtual
Para poder abraçar os amigos.
Amigos de agora,
Amigos de outrora,
Amigos sempre presentes,
Mundo afora e em tempo real.
Quem sabe lá do outro lado da vida
Haja uma rede transideral...


Lilia Maria


Ponto

Quero um ponto,
Apenas um sinal.
Não quero o ponto final.
Quero um ponto de encontro,
Encontro de duas retas,
Duas vidas distintas
Que se cruzam de repente,
De forma distraída,
Que fique apenas marcado
No fundo do coração.

Lilia Maria