sábado, 23 de março de 2013

Poesia boboca

A poesia não pediu licença,
Nem bateu à minha porta
E instalou-se como posseira
No meio da sala de jantar.

Consumiu folhas e mais folhas,
Rascunhos de pura emoção
Buscadas no fundo da alma,
Escritas com o coração.

Quando estava pronta,
Numa leitura muito crítica,
Descarto todo o trabalho
Direito na lata de lixo.


Lilia Maria

quarta-feira, 20 de março de 2013

Pensando na vida


Com seus olhos cor do vento
Olha-me de alto a baixo
E pergunta sem pensar:
Aonde vai com tanta pressa
Se a vida já passou?
Vou ao encalço dos meus sonhos,
Pois a vida neles vive.
A vida passou na corrida do tempo,
Mas ainda eu a alcanço
Antes da reta final.


Lilia Maria

quarta-feira, 13 de março de 2013

Senilidade proibida

Responda bem depressa,
Responda sem pensar,
Responda a pergunta
E faça meu coração calar.
Era mesmo para esquecer
E fazer o rumo da vida mudar?

Esqueci meu violão,
Esqueci o que cantar,
Esqueci o que fazia
Antes mesmo de terminar.

E como sou esquecida
Não posso continuar,
Pois esqueci o que dizer
Neste meu poetizar.
Quem mandou esquecer
E ao mesmo tempo lembrar?

Lilia Maria


terça-feira, 5 de março de 2013

Ditados populares

Quando a esmola é demais o santo desconfia, mas nós, mortais, agradecemos e aceitamos.

Mais vale um pássaro na mão do que dois voando, principalmente se eu estiver com fome e ele for comestível...

O cães ladram e a caravana passa, mas se latirem muito eu vou embora com ela.

O maior cego é aquele que não quer ver. O maior surdo é aquele que só escuta o que quer.

Lilia Maria

segunda-feira, 4 de março de 2013

Poetizando XV

Quando a fome aperta,
E a mesa é farta,
Parece que tudo tem o mesmo sabor,
Sabor que sacia a sensação,
Mas não sacia a vontade.

Lilia Maria

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

De repente



Eu não sei dizer se o amor foi de repente
Ou se de repente foi a surpresa do amor.
Eu não sei se foi tropeço
Aquilo que nem teve começo
E muito menos ponto final.
Ficou latente, latejante,
Buscando emergir das lembranças guardadas,
Quase esquecidas,
No sótão do velho casarão.

Lilia Maria

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Ventania



Nesta noite de verão
Vem caminhar entre as gotas
Desta chuva que molha até o coração.
Vem procurar entre os raios
Que iluminam a penumbra do temporal,
Aquilo que se perdeu no espaço,
Pois o tempo foi só o de um trovão.
Basta um piscar de olhos
Para mudar o cenário.
O vento leva para longe as nuvens,
Mas não carrega o que se fixou neste chão.
Não sou poeira, sou raiz,
E aqui vou continuar até o dia final.
Sou como a árvore que verga,
Toca o solo num dia de vendaval,
Mas sempre volta ao prumo.
Que venha mais uma tormenta,
Vou enfrentá-la com muito brio,
Sem perder a valentia,
Sem perder o fio.

Lilia Maria