sexta-feira, 13 de abril de 2012

Beijo Roubado

Lábios se tocam,
Levemente, gentilmente,
Se entreabrem,
Suspiram.

Ah! Língua atrevida!
Se insinua,
Invade,
Convida,
E aprofunda
E recolhe,
E chama.

Uma doce dança,
Uma troca,
Um prazer,
Um delírio,
Um devaneio.


Lilia Maria

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Carência


Onde estão os meus sonhos?
Esquecidos,
Esmaecidos,
Desvanecidos,
Mortos?

Para onde foram as confidências
Que davam alento
À esperança,
Aos devaneios,
Ao amor?

Quando sinto as areias da vida
Escorrerem entre meus dedos,
Tenho vontade de fechá-los
E estancar o sangramento,
Mas me sinto paralisada.

Se os sonhos morreram,
Eu estou viva.
Se as esperanças se foram,
Novos tempos vão chegar.
Não tenho pressa,
A eternidade se alcança devagar.

Lilia Maria

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Na reta


Um olhar apaixonado
Segue o outro em linha reta
Para mais perto sempre estar.
Mas se numa curva do destino
O olhar se desviar
Outro mais próximo
Pode vir a encontrar.

Lilia Maria

Matematicamente falando


Entre seu ponto e o meu ponto
Sempre existe um ponto médio
Que um dia ainda vou calcular...
Pego a régua e o compasso,
Próximo passo é traçar a mediatriz...
Ou a bissetriz dependendo do universo
Dos pontos a se considerar.



Lilia Maria

Geometrizando


Nunca fiz parte do círculo ou da circunferência,
Mas gravito em torno de um centro muito peculiar.
Tão peculiar como o ponto que represento,
Que nunca fez parte, mas não deixou de gravitar.
Uma situação tão estranha e tão sem explicação
Já virou um paradoxo na teoria que escrevi
Justificando o amor que não esqueci.


Lilia Maria
 

Geometria é uma das partes mais belas da Matemática. Seja classica ou as não euclidianas , a análítica, a plana ou a espacial, Geometria sempre será uma das minhas grandes paixões, daí ser fonte de inspiração.

domingo, 8 de abril de 2012

Oração (II)


Meu anjo que me guarda
Enxuga cada uma das lágrimas
Que me rolam pela face.
Não me abandone nesta hora
Em que o cansaço vence a determinação.
Não peço dó nem pena,
Peço apenas justiça,
Pois quem vem ver o que sobrou
Daquele sorriso moribundo
Não sabem das culpas
Que ainda julgo ter.

Lilia Maria

Eternidade


Este encontro perfeito
Vem se repetindo
Desde o tempo imemorial,
Pois o espaço que ocupa
Não é no coração
Onde o amor pode ser efêmero,
Mas na alma
Esta sim, imortal.

Lilia Maria