sábado, 24 de dezembro de 2011

Poetizando (II)


Da vida,
O que se sabe,
É que um dia ela chega ao final,
O resto é improviso
Dentro de uma peça teatral.

Lilia Maria

Poetizando (I)


Paixão que virou água
Escorre pelo canto do olho
E morre nos lábios rosados
Que não disseram uma palavra,
Que nunca mais sorriu,
Que secou de fome
E de frio.

Lilia Maria

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Só pensando


Um dia me encho de coragem
E faço uma bobagem
Daquelas que depois a gente
Quer esquecer
E fica perguntando por que.

Um dia dou uma de ventania
Saio desta letargia
Assopro toda a poeira
E depois saio de fininho
Rindo da confusão que deixei.

Um dia deixo de ser certinha
E resolvo virar a mesa
Doa a quem doer.
Pode até doer em mim.
Mas é a dor que vou gostar de ter.

Lilia Maria

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Envelhecer (ou amadurecer?)

Não importa a idade
O que interessa é acordar,
Olhar o espelho,
Ver as marcas do tempo
E sentir-se bela,
Mais madura,
Mais dona da vida,
Mais experiente,
Mais sábia,
E por tudo isso,
Muito mais fascinante...

Não importa que o tempo passou,
O rumo que a vida tomou,
As pedras deixadas no caminho,
As flores colhidas no campo...
O que interessa é ter cumprido a tarefa,
É ter escrito a página inteira
Antes de outra começar...

Não importa a saudade,
Não importa a verdade,
Não importa os cabelos brancos
Marcando a fronte.
O que interessa
É a vida correndo nas veias,
O dom precioso do sorriso
Que pode o rumo do dia mudar.

Lilia Maria

Nem sei quanto tempo faz que escrevi isso. A única coisa que me lembro é que estava próximo do meu aniversário. Foi uma tomada de consciência. Eu andava meio cabisbaixa, triste, pensativa... Um dia resolvi olhar para mim mesma, coisa que há muito não fazia. Fiquei um tempão olhando o espelho e relembrando momentos do passado. Aí me dei conta que as marcas do tempo não me tornam mais feia ou mais bonita, apenas denotam que vivi. E, se vivi, aprendi.
De que me adiantaria estar com a mesma cara e corpo dos 18 anos se não tivesse histórias para contar? São páginas e páginas escritas no meu livro da vida que fazem toda a diferença...
Arrumei-me para trabalhar naquele dia com muito mais vontade e cheguei distribuindo sorrisos. Quando você sorri para alguém, em via de regra, o sorriso é retribuído. É esta energia positiva, captada ao longo do dia, que faz a vida parecer (e ficar) melhor. As pessoas sisudas e taciturnas, de repente, tendem a se tornar mais envelhecidas, mais negativas. É um ciclo vicioso. Alegria atrai alegria, tristeza atrai tristeza. Desse dia em diante decidi: vou sorrir cada vez mais, vou sorrir sempre!
Recentemente, comecei a separar fotos dos meus amigos para montar um mural. De muitos tenho fotos novas e antigas, de alguns, apenas fotos antigas e de outros, fotos bastante atuais. Observando e comparando as imagens, mais uma vez percebi o poder de um sorriso. Ele traz luz a um rosto, rejuvenesce, enfeita...
(poema e texto postado em 2009 no blog Folhas Soltas. )

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fechando o ciclo


Hoje é o último dia da minha década de cinquenta. Aí começo a era “sex”, sexagenária... rs...
O que muda? Nada, absolutamente nada, a não ser o campo idade na hora de preencher algum cadastro. Conforme digo sempre, não estou velha, pois coisa velha é aquilo que não serve para nada. Estou apenas idosa e, de repente mais sábia, mais experiente, mais vivida, mais esperta...
Em sessenta anos de vida, aprendo muitas coisas, desaprendi algumas, estudei, trabalhei, procriei e continuo pronta para começar tudo de novo sempre que for preciso. Ainda tenho pique para muitas coisas e à medida do possível vou tentar realizar meus sonhos de menina, de adolescente, de jovem, de adulta e até da ex-velhinha (um amigo me chamou assim no ano passado, eu gostei...)
Vou fazer um balanço de tudo antes de dormir. Acho que ainda saio no lucro. Bom, muito bom.
Em tempo: amanhã completo 59 anos, portanto será o primeiro dia do meu sexagésimo ano. Ontem tentei explicar isso para uma pessoa que não entendeu de jeito nenhum.
Lilia Maria

De repente amor...


Tudo começou com um alemão que fazia parte dos meus sonhos.
Depois, como filha obediente que sou, me rendi ao americano que não me encantava, mas era prático.
Com o passar dos anos fui me alternando entre os dois, alemão e americano, até que conheci o italiano de Torino. Ele era uma delícia.
Achei que italianos seriam para sempre mesmo que fossem “made in” Minas, mas o último me decepcionou tanto que resolvi sair do lugar comum. Agora vou experimentar um francês. Já estou quase apaixonada, mas é apenas uma questão de tempo.
Quem se espantar com esta breve declaração de “quase amor”, não se assustem, não estou falando daquele moço bonito que faz bater meu coração. Estou apenas falando de meu carrinho que deve chegar antes do final do ano.

Lilia Maria

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Rotina


Num surto de paixão
Acordo na madrugada
Dentro da cama vazia,
Dentro do quarto deserto,
Mas nunca estou sozinha,
Todos os meus fantasmas
Estão sentados em guarda
Do sono que não pode morrer.
Morre o sono,
Acaba o sonho,
E vida continua.

Lilia Maria