segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Nem tudo é o que parece

O que vem devagar
Pode ganhar pressa
E aí a história recomeça.

Uma palavra dita
No acaso de uma conversa,
Vira um grande discurso
Disfarçando a confusão.
Não era hora da resposta,
Ou de uma constatação.

Um gesto sem importância
Tem o peso multiplicado
Se não era esperado.
Não era para ser dramático,
Apenas tinha que ser enfático,

Mas nunca desafiador.

Somos gestos e palavras,
Somos pensamentos,
Somos emoções.
Mas nos guardamos como segredos
Quando temos medo
De mostrar o lado do avesso.


O que vem de repente
Pode ganhar força
E mudar o fim do que já terminou.

Lilia Maria

Tudo bem para o ano que vem?

Ando pedida nas horas,
O tempo passa
E eu não percebo.
De repente escureceu,
O dia acabou,
Mais uma semana findou,
O novo mês chegou,
Só eu não cheguei
Onde deviria estar.
Tem como me esperar?

Lilia Maria

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fim de estação

Procurei em setembro
O que achei em outubro
E vivi em novembro.
Floresceu em dezembro,
Fora de hora por sinal,
Pois o que nasce
No findar da primavera,
Morre durante o verão.

As lágrimas vieram no outono,
Fechando o ciclo
Que parece encerrado.
O inverno passou ileso,
Mas ainda não terminou a estação.
Ai de mim,
Se a vida inteira for assim.
Lilia  Maria

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Responda se puder

Amor, via de mão dupla,
O meu, contra-mão,
Tenho amor então?

Triste é o fim,
Seja lá do que for,
Estou triste, acabou?

Nasce e renasce,
Há luz sempre a brilhar,
Por que não quero enxergar?

Ficar sentada na estrada,
Esperando a vida passar,
Posso na vida embarcar?

Doce mistério da vida,
É o mundo a desbravar,
Alguém pode me ajudar?

Ganhar o jogo de virada
É o sonho do jogador,
Volto então a jogar?

Pergunta sem resposta
Sempre se pode fazer,
Alguém vai me responder?

Espelho, espelho meu,
Espelho que Deus me deu,
Existe alguém mais louca que eu?

Lilia Maria

domingo, 4 de setembro de 2011

Ciber-mundo ou mundo real?

Ontem, arrumando as coisas na minha estante, abri mais uma vez a caixa em que guardo inúmeros bilhetes, cartões e cartinhas da época do colégio e da Universidade.
Lembro-me bem que quando estava no primeiro colegial tínhamos uma turma incrível. Éramos bastante unidos. Não sei como tudo começou, mas de repente, em vez de conversarmos trocávamos bilhetes. Quase nada era escrito durante o período de aula. Normalmente escrevíamos em casa e no outro dia entregávamos. Muitos eu já não tenho mais, não consegui salvá-los da minha mãe, que numa das inúmeras arrumações em sua casa jogou fora caixas e caixas de papel.
Transcrevo aqui um parágrafo do que li ontem antes de dormir. Foi escrito em 29/04/1970 pela Elba.
“Sabe, hoje a Denise disse-me uma coisa que me deixou muito triste, mas acho que vou resolver isso. Ela disse que nós pegamos a mania de escrever uma para a outra e não se conversa mais. Acho muito bacana receber cartas de vocês. Mas também fico triste quando a gente passa muito tempo sem conversar. ...”
Naquela época não tinha e-mail e muito menos redes sociais. Se tivesse certamente estaríamos com a caixa postal cheia, montes de postagens e muito pouca conversa.
Claro que o ciber-mundo facilita tudo, mas muitas vezes sinto falta da interação. Eu entrei numa rota pior ainda... Quando só havia e-mail eu me comunicava com pessoas que estavam distantes. Escrevia muito e recebia muitas respostas. De repente os meus e-mails são monte de apresentações do Power Point. Lindas com certeza, mas bastante impessoais, até porque são enviadas no “atacado”.
De repente com as redes sociais eu tenho notícias de todo mundo. Sei quem viajou, quem ficou em casa, quem adoeceu, quem está triste, curti fotos, até deixei recados e muitas felicitações pelos aniversários. Essas coisas estão se tornando quase que automáticas, mas ando me sentindo muda.
Mais que isso... Será que aquela pessoa que disse que curtiu a minha última postagem no blog teve a curiosidade de ler o que realmente eu escrevi? O meu contador de acesso em geral diz que não. Enfim...
Vamos lá... Nada vai mudar... Mas estou registrando aqui que quero muito mais do que o ciber-mundo pode me dar... Quero viver no mundo real. Quero dar e receber abraços de verdade. Quero sentar na padaria da esquina para tomar um café com aquelas pessoas que quero bem. Quero interação pessoal. Corpo a corpo, olho no olho, ouvir a voz, falar.
Quem me acompanha?

Lilia Maria

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Guardados

Quando a inspiração acabar
E o coração um poema pedir,
Lance mão de velhas histórias
Que ainda inquietam a alma
E aquecem o corpo adormecido.
Não há como sepultar
O que vive latente
Anos a fio.
Não há como esquecer
Emoções que ficaram cravadas,
Cicatrizes ainda doloridas,
Imagens que olhamos enternecidas,
Palavras que calaram fundo.
A vida acontece apesar de tudo,
Mas as lembranças seguem conosco.

Para sempre.

Lilia Maria

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dormir de colherinha

Dormir de colherinha... ou de conchinha... é tudo de bom...
Quando eu ia me casar, um amigo falou muito sério para nós dois: olha, nem tentem dormir agarradinhos... sobra braço, sobra perna... Fala boa noite, dá beijinho, e depois é “bunda com bunda...”
Na minha santa inexperiência, achei que estava certo. Mas o tempo foi passando, e a gente foi se conhecendo e se soltando... O sexo foi ficando mais gostoso... os limites foram se alargando... idéias foram surgindo... Hoje o meu conselho para moças casadouras seria este:
A dois, entre quatro paredes não tem proibido. Tem que ter entrega, tem que ter confiança, tem que ter vontade de agradar.

De repente o dormir “bunda com bunda” é bom, mas tem coisa melhor... Um dia se acorda exatamente na posição que se estava no último minuto do suspiro final do orgasmo fatal. Fatal, porque depois dele parece que o mundo acabou... E vocês estão renascendo... leve... gostoso... uma letargia só...
Dormir de conchinha é tão bom quanto isso que eu acabei de escrever. Não precisa nem passar a noite toda encaixadinho. É fazer a parceira adormecer... É o aconchego... É o se sentir gostado... Mesmo que não rolou sexo, é quase tão prazeiroso quanto o melhor dos sexos que se pode proporcionar para alguém... Aliás, se o sexo não for tão bom, acredite, uma mulher certamente vai achar o melhor da vida dela se o parceiro terminar a noite assim...

Lilia Maria