quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Rainha de copas



Toda mandona,
Até parece uma matrona
Vociferando para quem quiser escutar.
Quero tudo arrumado
Que eu já vou chegar,
E façam do meu jeito
Ou cabeças vão rolar.
Pobre rainha!
Sem trono,
Sem súditos,
Sem razão...
Faz de conta que ainda reina,
Mas nem é mais dona
Do seu próprio coração.

Lilia Maria

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Valete de paus



Lá estava ele,
O valete de paus
Plantado na grama
Como se fosse uma árvore
Prestes a morrer.
Não fazia mais parte da canastra,
Da sequência,
Da manilha.
Agora era o blefe
Do jogador indeciso
Que perdeu sem querer.
Volta ao maço
Carta perdida!
O jogo vai começar,
Não posso bater na partida,
Se você parar de brincar.

Lilia Maria

Vida e sonho

O que seria da vida se não fossem os sonhos! 
O que seria dos sonhos se não fosse a vida. 
Vida sem sonhos é vazia, 
Sonhos sem vida é só utopia. 
Se o sonho se realiza, 
É a vida se enchendo de felicidade. 
Se a vida vira sonho, 
Alcançamos a eternidade. 
Sonhar e viver, 
Viver e sonhar, 
Indissosciáveis,
Mas independentes.
Quando sonhamos,
Planejamos a vida,
Quando vivemos,
Buscamos os sonhos.
Quem não sonha não vive,
Pois o que não é a vida
Senão pedaços de sonhos
Que nos permitimos viver?

Lilia Maria

domingo, 16 de setembro de 2012

E agora Amor?

E agora, Amor?
Você não é o José,
O José do Drummond,
Que estava na festa,
Quando a luz acabou,
Quando o povo sumiu,
Quando a noite esfriou.
Você, que não é um sem nome,
Não zombe dos versos
De quem ama você.
E agora, Amor?
Agora é com você.
Você, que andava sem rumo,
Vai entrando no prumo.

O José do Drummond
Não tinha discurso,
Não tinha mulher,
Não tinha carinho,
Não podia beber,
Não podia fumar,
E agora, Amor?
Você pode tudo!
Está com a chave na mão,
É só abrir a porta.
E para você a porta existe,
O mar não secou,
E você nem precisa ir para Minas,
Minas que para o José acabou...
Amor, e agora?

Você não está sozinho no escuro,
Não é um bicho do mato,
Nem precisa de cavalo preto
Para fugir a galope.
Você não é o José do Drummond,
Nem eu sou o Carlos que escreve poesia
E que pergunta insistente:
E agora, José?

A vida é sua,
Seu povo não sumiu
Sua festa não acabou,
A noite não esfriou,
A luz não apagou,
Ninguém partiu
E estamos esperando você.
E aí, Amor? Você não vem?

Lilia Maria

Este poema, um quase plágio do "E agora José" do Drummond, foi apenas uma gostosa brincadeira com palavras e idéias. Um dia ainda escrevo outra no mesmo estilo utilizando a pedra do caminho ou o bonde cheio de pernas.
Em tempo: escrito em 2011, publicado em folhas soltas.

sábado, 15 de setembro de 2012

Te gosto

Te gostava com tanto gosto,
Que tinha gosto de quero mais.
E de tanto gostar daquele gosto,
Que experimentava com prazer,
Já não queria sentir outro gosto
Pois o maior gosto que tinha
Era o gosto de gostar de você.



Lilia Maria



De vez em quando volto aos meus tempos de adolescência...
Meus tempos de menina enamorada, que ficava olhando de longe... Não tinha medo que alguém visse para onde eu olhava. Meu medo maior era não ter para onde olhar... E o coração estava empenhado, comprometido com o meu sonho. 
Cresci, amadureci, envelheci... Mas de vez em quando aquele olhar perdido, aquele sorriso dissimulado, ainda vem me assombrar
Mas passa, um dia passa...

Meu refúgio


Existe no mundo um lugar
Onde eu gostaria sempre de estar.

Um lugar aconchegante,
Onde me sinto protegida.
Um lugar onde meu corpo cansado
Pode relaxar e sossegar.
Um lugar onde eu não preciso pensar,
Só preciso sentir...
Um lugar onde meu espírito se acalma
E minhas aflições se esvaem.
Um lugar onde volto a ser menina de novo,
Sem problemas, sem preocupações.
Um lugar onde não se paga imposto ou aluguel.
Um lugar que me dá conforto e alento.
Existe no mundo um único lugar
Onde eu gostaria sempre de estar...

Lilia Maria



Se este lugar existe e é para lá que eu vou, nem que seja em meus sonhos... Estou precisando descansar.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Entristecente

Vou trancar portas e janelas
Até cessar o vendável,

Que me sacode dos pés à cabeça
E me arrasta pelo quintal.

Vou morrer mais uma vez
E renascer na água fria
Que gela o coração
E cola meus pés ao chão.

E depois na calmaria
Vou continuar a sorrir
Com o sangue que corria nas veias
Se esvaindo pelos poros
E marcando cada passo do caminho
Com rubros rastros deste crime
Que acabo de cometer.

Matei o amor em seu leito branco,
Rebento do ventre aberto em flor.
Não tenho mais nada,
Só pesar e amargor.


Lilia Maria 

Nem sei porque este poema foi escrito em 14/09/2010. Não me lembro mais... E quer saber a verdade? Não quero  lembrar. Coisas tristes foram feitas para serem esquecidas.