quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Lilia efeito retardado

Este texto foi escrito em 17 de janeiro de 2010. Hoje, respondendo ao  meu ex-aluno Joel Clososki Pereira no Facebook sobre a música "Velha Infância", lembrei dele e resolvi repostar. 

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Outro dia eu assisti a um filme em que um moleque tinha o dom de voltar no tempo e mudar uma decisão tomada. Lógico que toda mudança tinha efeito no futuro (“Efeito Borboleta”, estralado por Evan Treborn). Claro que uma coisa dessas me fez passar a noite pensando... Aliás, não é a primeira vez que eu fico imaginando como seria voltar no tempo e mudar muitas das minhas decisões que no momento eu acreditava serem acertadas e que às vezes parecem equivocadas. O que será que teria acontecido se eu tivesse enfrentado meu pai e ido à festa na casa do Eduardo para encontrar o Marcelo? Será que ele teria ido acampar no Pico do Jaraguá? E se eu não saisse correndo assustada, com medo de ser abraçada por aquele que foi o meu primeiro amor? E se eu tivesse batido o pé e ido fazer medicina? E se eu tivesse desistido de estudar na EESC e ficasse na PUC? E se eu não tivesse pedido transferência da EESC para o IME? E se eu tivesse falado para o Pê o que eu estava fazendo de fato na casa dele naquele dia de janeiro de 76? E se eu tivesse ido a Ribeirão Preto conversar com o Carlito Braga como ele havia me pedido na última carta que me enviou? E se eu não tivesse ido jantar com a minha irmã na FATEC naquele final de outubro de 79? E se...
“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim” (Chico Xavier). É isso... Preciso (re)começar e tentar um final mais feliz.

Em tempo, não é só mudar decisões que me fazem pensar. É o não ter feito montes de coisas que me incomoda mais. Daí o "efeito retardado"... Depois que passa o momento eu penso em respostas ou atitudes que me foram cobradas e eu não percebi no momento.
Eu deveria ter "experimentado" mais a vida e da vida...


Lilia Maria
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Velha Infância
Tribalistas

Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...


Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...


E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...

Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Amor aos pedaços

Junterei pelos traços
Os pequenos pedaços
Da jura de amor que escrevi,
E que piquei tudo num repente,
Quando estava de cabeça quente.
Prometi esquecer,
Mas não esqueci.
Ficou tudo no fundo da gaveta,
Guardado como tesouro
Que um dia ainda vou resgatar.
Darei uma grande gargalhada
Do que escrevi apaixonada,
E com tanta ingenuidade
Que nem parece verdade.
Ah! As coisas do coração!


Lilia Maria

Resgatar não é bater na porta de alguém e dizer: estou aqui. Não. Resgatar, no caso, é rever o que ainda sobrou, e contar histórias lindas da infância, adolescência, juventude e porque não, da velhice.
Histórias é o que não me falta. Só que chega um tempo em que não sabemos mais o que real e o que virou fantasia. Daí o ter que resgatar do fundo da gaveta os velhos diários, os cadernos de poesias, livros usados no colégio, e outras bugigangas que guardo com tanto carinho.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Monotonia


A vida,
Que parecia sinuosa,
Hoje é apenas uma linha reta,
É daqui pra lá
E de lá pra cá,
Sem atalhos no meio do caminho.
Fica tudo certinho,
Sem surpresas,
Sem pontos de inflexão.
Respira fundo,
Suspira,
Abra os braços
E abrace o mundo.
Sua história só acaba se você quiser.

Lilia Maria

domingo, 2 de setembro de 2012

Sonhando acordada

Encosta,
Se enrosca,
Me abrace,
Me acarinhe,
Fica ao meu lado,
Me encanta.

Mergulha seus olhos
Nos meu olhos,
Vem devagar,
Toca meus lábios,
Me beija,
Sussurra meu nome,
Me faz sonhar.

Lilia Maria

Deitava a cabeça no travesseiro e sonhava.
Foi assim por muito tempo, até que descobri que aqueles sonhos eram em vão. 
Sinto saudades, não só da pessoa, mas muito mais do sonho.
Então, adaptei um velho poema para esta situação:

Quando meu sonho se perdeu,
Nós dois perdemos,
Eu, porque você era meu maior sonho,
E você, porque não estava mais no meu sonho.
Mas de nós dois,
Quem perdeu mais foi você,
Pois eu ainda posso sonhar,
E você, porque ninguém mais sonhará contigo
Os sonhos que eu sonhava.

Lilia Maria


sábado, 1 de setembro de 2012

Amor diferente

A porta bate com força,
O vento não a deixa em paz,
E zune através da vidraça...
E faz a chuva cair.
A tarde fica triste,
Triste fica meu coração
Pensando que havia calor no passado,
Mas passou, esfriou, acabou...
O amor, o calor, e agora a dor.
E, quando mais nada restar
Poderei de novo encontrar
A ressonância, o eco, o espelho.



Quero um amor diferente,
Que me ajude fazer o macarrão,
Que enxugue os pratos e a pia,
Que venha comigo caminhar,
Dividir, transgredir, cumpliciar,
Sempre...

Lilia Maria

Bailado

Agora,
Neste exato momento,
O que quero é dançar.
Descalça,
Deslizando na música etéria,
Solto o corpo a cada compasso,
Como se ele não tivesse lastro.
Ontem era um pas de deux,
Hoje um solitário espacate.

Lilia Maria


Sábado


Hoje é sábado.
Há quem ame o sábado,
Há quem prefira
Que o sábado já fosse domingo.
Há quem passa o dia dormindo
Cansado da lida da semana.
Há quem trabalha mais neste dia
Do que todos os cinco passados.
Hoje é dia do mercado lotado,
Dos caixas congestionados,
Do banho demorado
Pensando no namorado.
Sábado, para que te quero?
Fico olhando o espelho,
Meu vestido branco e vermelho,
Meu velho scarpin.
Saio apressada,
Tenho muito a fazer,
É mais um dia que passo
Tentando da vida me esconder.

Lilia Maria